Monday, February 26, 2007

Aprender com as palavras

Há três boas razões para eu gostar de blogues: porque gosto de ler, porque gosto de escrever e porque gosto de aprender. Aprende-se muito na blogosfera. É apenas uma questão de ler os blogues certos, os quais, sem dúvida alguma, hão-de variar de leitor para leitor.
Dentro do capítulo da aprendizagem, a partir deste post da Susana Bês, que não é alheio a um outro que aqui publiquei, descobri a SEP, que promete leituras interessantes, assim haja tempo e paciência. Ainda estou, como se pode entender, a explorar as entradas sobre o feminismo
A propósito deste tema, das minhas críticas e da objecção levantada pela Susana, voltou a ocorrer-me a importância do vocabulário como auxiliar para a compreensão de certas realidades sociais. O machismo postula a superioridade do homem e do masculino sobre a mulher e o feminino. Que não seja óbvia uma palavra que descreva o sentido inverso desta visão preconceituosa é, já de si, bastante esclarecedor. Mas isso não quer dizer que esse sentido inverso não exista.
O post que deu origem a toda esta controvérsia não se inscreve, a meu ver, no feminismo, tal como o define a SEP, ou os bons dicionários para as ciências sociais. Inscreve-se naquilo que me continua a parecer uma visão tão preconceituosa como a do machismo, embora, obviamente, minoritária e muito menos divulgada do que aquele. Se havia dúvidas, fica o esclarecimento. Por esse motivo, compreendo a objecção da Susana e acredito, agora, que é injusto dizer que se trata de um post feminista no pior sentido da palavra, pela interpretação equívoca que pode induzir. O feminismo defende os direitos das mulheres e a igualdade de oportunidades entre os sexos e não é isso, realmente, que eu julgo ler ali.