Brujería
Não me venham dizer que a súbita mudança no tempo - as chuvas, o vento, as trovoadas - não é um sinal evidente das negras conjurações que se tecem para as 19:45 da noite.
"Aliás, são sempre os outros que morrem." - Marcel Duchamp
A economia cresce e o desemprego aumenta. Muita gente desconfiada dos números e algumas vozes mais calmas tentado explicar as relações e os desfasamentos entre uma coisa e outra. Na minha modestíssima visão, quando se olha para números convém sempre ver um pouco além e perceber o que lhes está na origem. Neste caso, mais exactamente, ver quais os sectores da economia que crescem e quem são os novos desempregados. E não esquecer que a taxa de desemprego depende do número de desempregados, mas também do número de activos, embora pareça não ser essa a justificação neste caso.
Outro exercício interessante de se fazer é detectar as tendências das estatísticas. Por exemplo, consultando a documentação on-line do portal do IEFP, perceber que os números do desemprego, pelo menos na última meia dúzia de anos, vão decrescendo de Janeiro a Julho/Agosto, para registarem uma nova subida entre Agosto/Setembro e Novembro. Isto não quer dizer que a taxa de desemprego do 1º trimestre não possa ser superior à taxa do último trimestre do ano transacto. Mas deixa em aberto que o final do Verão possa trazer mais notícias desagradáveis para os trabalhadores e, por força maior, para o governo.
Publicado por Miguel Silva às 19:19 |
"besugo, o melhor blogger menos falado de Portugal. E daí não sei não sei, se fosse muito falado não sei se não seria o melhor blogger mais falado de Portugal. E o melhor blogger falado assim assim de Portugal. Etc."
Estas três frases estão, por enquanto, no A Causa Foi Modificada. Mas como o autor tem uma tendência conhecida para apagar o que publica, era necessário que alguém que não a tivesse as transcrevesse. Porque são muito merecidas.
Publicado por Miguel Silva às 16:39 |
Não sou daquelas pessoas que distingam entre amigos e bons amigos. Os meus amigos são todos bons. Talvez por isso, sempre tive poucos amigos. Apesar da relativa constância das minhas amizades, já perdi várias delas. As razões não são particularmente interessantes. Na maior parte dos casos porque cada pessoa acabou por seguir a sua vidinha. Apenas duas vezes, que me lembre, por manifesto ressentimento mútuo – e uma delas reatada passados alguns anos.
Foi só mais recentemente que me aconteceu sentir que perdia uma amizade sem ser capaz de identificar uma justificação plausível. Hoje, sem que seja capaz de explicar o porquê, percebi que esta não é uma amizade perdida, mas sim uma amizade da qual se desistiu. Não se tratou de uma circunstância, mas de uma opção e, finalmente, tomei consciência disso. Seria de esperar que de algo assim sobreviesse uma certa tristeza, mas tal não aconteceu e já nem isso me surpreende. A indiferença é o melhor sintoma dos encerramentos consumados.
Daqui a umas semanas lá estaremos na cerimónia de casamento entretanto anunciada. Mais por deferência – o que, em si mesmo, não é mau –, mas com a plena noção da falta de envolvimento afectivo. A ocupar-nos o pensamento estarão as roupas adequadas, as viagens e as reservas do hotel. Exactamente o tipo de merdices que sobram para ocupar os vazios.
Publicado por Miguel Silva às 19:33 |
Descobrir a sequência perfeita para as 15 estações que o auto-rádio memoriza.
Publicado por Miguel Silva às 16:37 |
Gerou-se aí algures, suportada pelas declarações do psicólogo Luís Villas-Boas, uma corrente de criticismo à actuação dos pais da menina inglesa desaparecida no Algarve. Escolher um momento destes para tecer juízos sobre o comportamento dos pais – juízos já de si de duvidosa validade empírica – revela sobretudo sede de notoriedade, uma tendência para a moralzinha e um certo prazer na repreensão de terceiros.
Não tenho muitas histórias destas, ou destas, para contar. Mas, a tê-las, publicá-las-ia sem hesitação. Neste momento de mistificação do que é a actuação parental torna-se importante oferecer exemplos concretos que desmontam essas perigosas imagens de pais-exemplo e de super-pais, que alguns pretendem fazer passar como verdadeiras e únicas merecedoras de sanção positiva.
Ainda assim, e por razões óbvias, não é o processo de mistificação em curso que mais choca. É, antes, a frieza desumana das declarações e a quase total desconsideração perante o sofrimento alheio.
Publicado por Miguel Silva às 11:05 |
Um pequeno, mas interessantíssimo, artigo sobre a relevância da linguagem para as categorias de pensamento.
(via Blogo Existo)
Publicado por Miguel Silva às 12:19 |
A violência voltou às ruas de França após as eleições presidenciais e era apenas uma questão de tempo até que alguém viesse colar as "explicações sociológicas" às posições da esquerda, como quase sempre acontece em casos semelhantes [Helena Matos no Público, sem link disponível]. Ora, a sociologia não justifica nada; analisa e explica, mas as justificações, essas, não se podem imputar à ciência social inaugurada por Auguste Comte. Quanto à esquerda, não se lhe pode propriamente apontar o dedo por tender a embrenhar-se um pouco mais na raiz dos problemas antes de partir para a adjectivação fácil. Compreender e justificar têm significados diferentes na linguagem científica, na linguagem política e na linguagem quotidiana, mas confundir as duas coisas é um recurso muito em voga na direita desde o 11 de Setembro.
Parece haver algumas pessoas que não simpatizam com a disciplina da sociologia e que não se coíbem de a desprezar com o fito de atacar os seus adversários políticos - como se uma ciência, com um objecto, um método e um corpo teórico definidos e autónomos, tivesse menos valor pelo tipo de problemas que elege estudar. Mas, enfim, a sociologia também explica estas formas de discussão política.
Publicado por Miguel Silva às 18:41 |
As imagens das aglomerações espontâneas(?) de apoiantes de Carmona Rodrigues trazem à memória episódios semelhantes com outros autarcas como protagonistas. Se Carmona ainda tiver bons amigos, alguém tem o dever de lhe explicar que esta não é a melhor opção. Acreditar que as tácticas que resultam num ou noutro concelho do distrito do Porto se podem aplicar igualmente na maior cidade do país é um erro de palmatória.
Publicado por Miguel Silva às 22:31 |
A Madeira é demasiado longe e já não é como se fosse realmente Portugal.
Publicado por Miguel Silva às 21:56 |
Carmona Rodrigues, nunca será demais relembrá-lo, foi o político que negociou nomeações para empresas municipais a troco de apoios eleitorais e que disse não perceber as críticas que lhe foram feitas à altura. Agora pretende assumir uma posição de força e não renunciar a um mandato após ter sido constituído arguido num processo directamente relacionado com a sua actuação como edil. Existe, pelo menos, uma certa coerência entre os dois casos.
Confesso que hesito entre pensar que ao ainda presidente da CML falta a capacidade de interiorizar os mecanismos mais básicos de ética democrática ou, por outro lado, presumir algo mais sinistro. Até prova em contrário, merece, como toda a gente, que nos fiquemos pela hipótese da mera falta de cultura democrática.
Carmona tem, contudo, razão numa coisa. O sistema político-partidário não convive bem com independentes. O seu problema é que não é isso que está aqui em causa. Trata-se de confiança, transparência e ética política e já não existem artifícios de retórica que possam convencer o eleitorado do contrário.
Publicado por Miguel Silva às 16:20 |
Qual é a (abundante) integridade moral da censura, das fraudes eleitorais, do Tarrafal, da PIDE/DGS e da guerra colonial?
Se o Alonso fosse capaz de explicar isto, o seu texto padeceria bastante menos do defeito de querer fazer de Salazar algo que ele não era. Defeito esse, de resto, que o Alonso, porventura correctamente, parece encontrar amiúde noutras pessoas.
Publicado por Miguel Silva às 11:39 |
Não existe nenhum call center para onde se ligue e que não insista em tratar-nos pelo nosso nome. Diz nuns manuais que isso melhora a relação com o utente. Nem todos, mas adiante. Quando me perguntam com quem estão a falar eu respondo com os meus primeiro e último nomes: Miguel Silva. Com uma frequência assustadora, do outro lado a conversa costuma continuar: “Muito bem, senhor Miguel Sousa…”.
A quantidade de vezes que me trocam o Silva pelo Sousa é tão grande que já não me dou ao trabalho de tentar corrigir o engano. Para efeitos práticos, ao telefone chamo-me Sousa mais vezes do que Silva. Digamos que já se transformou no meu alter-ego telefónico.
Publicado por Miguel Silva às 12:02 |
Podeis rir, mas com respeito. Porque, se um dia deixais de ser cuidadosos com o respeito, podeis perdê-lo a quem não o merece, do que resultariam enormes catástrofes sociais de que já vos falei amiúde nas minhas crónicas.
Publicado por Miguel Silva às 13:47 |
Retiro da caixa de correio um aviso de entrega de uma encomenda que, explicam-me depois no balcão dos CTT, ainda não chegou.
Publicado por Miguel Silva às 16:21 |
Conheço pessoalmente muita boa gente a ganhar pequenas fortunas sem nunca ter concluído o ensino superior. Alguns sem nunca o terem frequentado sequer. Tal como conheço muito boa gente com cursos superiores ou com frequência dos mesmos que ganha magros salários em funções para as quais não são necessárias quaisquer qualificações relevantes.
Isto não contraria o que se encontra na base da campanha das Novas Oportunidades. Apenas confirma que a estrutura do tecido produtivo nacional não valoriza convenientemente as qualificações como prova de competências adquiridas nem como instrumento de incorporação de mais-valia na actividade desenvolvida. Se pretendemos uma economia que algum dia queira ser competitiva à escala global, esta mentalidade que tem de ser alterada. Há vários passos a dar nesse caminho, mas algum terá de ser o primeiro.
Publicado por Miguel Silva às 12:04 |
Os cartazes alusivos à iniciativa governamental Novas Oportunidades têm suscitado alguma polémica. Serão simplistas, mas dificilmente a publicidade escapa a esse condicionalismo. Não são mais redutores, na forma como apresentam o seu tema, do que a esmagadora maioria do que se produz neste meio. Mais ainda, a publicidade não tem como função principal educar ou explicar, mas antes suscitar interesse, marcar presença, fazer-se notar.
Um quadro mais abrangente do tema, com dados concretos, como os que o Rui Pena Pires se deu ao trabalho de coligir, ajudaria a compreender melhor a questão. Mas, certamente, não funcionaria tão bem em outdoors publicitários.
Publicado por Miguel Silva às 11:53 |
O Sol, o azul do céu, as temperaturas amenas, o voo rasante das andorinhas, a folhagem renascida das árvores, o desabrochar das flores, as lagartixas vivas que a gata trás para dentro de casa…
Publicado por Miguel Silva às 14:12 |