A riqueza e a pobreza das linguagens
Um pequeno, mas interessantíssimo, artigo sobre a relevância da linguagem para as categorias de pensamento.
(via Blogo Existo)
"Aliás, são sempre os outros que morrem." - Marcel Duchamp
Um pequeno, mas interessantíssimo, artigo sobre a relevância da linguagem para as categorias de pensamento.
(via Blogo Existo)
Publicado por Miguel Silva às 12:19 |
A violência voltou às ruas de França após as eleições presidenciais e era apenas uma questão de tempo até que alguém viesse colar as "explicações sociológicas" às posições da esquerda, como quase sempre acontece em casos semelhantes [Helena Matos no Público, sem link disponível]. Ora, a sociologia não justifica nada; analisa e explica, mas as justificações, essas, não se podem imputar à ciência social inaugurada por Auguste Comte. Quanto à esquerda, não se lhe pode propriamente apontar o dedo por tender a embrenhar-se um pouco mais na raiz dos problemas antes de partir para a adjectivação fácil. Compreender e justificar têm significados diferentes na linguagem científica, na linguagem política e na linguagem quotidiana, mas confundir as duas coisas é um recurso muito em voga na direita desde o 11 de Setembro.
Parece haver algumas pessoas que não simpatizam com a disciplina da sociologia e que não se coíbem de a desprezar com o fito de atacar os seus adversários políticos - como se uma ciência, com um objecto, um método e um corpo teórico definidos e autónomos, tivesse menos valor pelo tipo de problemas que elege estudar. Mas, enfim, a sociologia também explica estas formas de discussão política.
Publicado por Miguel Silva às 18:41 |
As imagens das aglomerações espontâneas(?) de apoiantes de Carmona Rodrigues trazem à memória episódios semelhantes com outros autarcas como protagonistas. Se Carmona ainda tiver bons amigos, alguém tem o dever de lhe explicar que esta não é a melhor opção. Acreditar que as tácticas que resultam num ou noutro concelho do distrito do Porto se podem aplicar igualmente na maior cidade do país é um erro de palmatória.
Publicado por Miguel Silva às 22:31 |
A Madeira é demasiado longe e já não é como se fosse realmente Portugal.
Publicado por Miguel Silva às 21:56 |
Carmona Rodrigues, nunca será demais relembrá-lo, foi o político que negociou nomeações para empresas municipais a troco de apoios eleitorais e que disse não perceber as críticas que lhe foram feitas à altura. Agora pretende assumir uma posição de força e não renunciar a um mandato após ter sido constituído arguido num processo directamente relacionado com a sua actuação como edil. Existe, pelo menos, uma certa coerência entre os dois casos.
Confesso que hesito entre pensar que ao ainda presidente da CML falta a capacidade de interiorizar os mecanismos mais básicos de ética democrática ou, por outro lado, presumir algo mais sinistro. Até prova em contrário, merece, como toda a gente, que nos fiquemos pela hipótese da mera falta de cultura democrática.
Carmona tem, contudo, razão numa coisa. O sistema político-partidário não convive bem com independentes. O seu problema é que não é isso que está aqui em causa. Trata-se de confiança, transparência e ética política e já não existem artifícios de retórica que possam convencer o eleitorado do contrário.
Publicado por Miguel Silva às 16:20 |
Qual é a (abundante) integridade moral da censura, das fraudes eleitorais, do Tarrafal, da PIDE/DGS e da guerra colonial?
Se o Alonso fosse capaz de explicar isto, o seu texto padeceria bastante menos do defeito de querer fazer de Salazar algo que ele não era. Defeito esse, de resto, que o Alonso, porventura correctamente, parece encontrar amiúde noutras pessoas.
Publicado por Miguel Silva às 11:39 |
Não existe nenhum call center para onde se ligue e que não insista em tratar-nos pelo nosso nome. Diz nuns manuais que isso melhora a relação com o utente. Nem todos, mas adiante. Quando me perguntam com quem estão a falar eu respondo com os meus primeiro e último nomes: Miguel Silva. Com uma frequência assustadora, do outro lado a conversa costuma continuar: “Muito bem, senhor Miguel Sousa…”.
A quantidade de vezes que me trocam o Silva pelo Sousa é tão grande que já não me dou ao trabalho de tentar corrigir o engano. Para efeitos práticos, ao telefone chamo-me Sousa mais vezes do que Silva. Digamos que já se transformou no meu alter-ego telefónico.
Publicado por Miguel Silva às 12:02 |
Podeis rir, mas com respeito. Porque, se um dia deixais de ser cuidadosos com o respeito, podeis perdê-lo a quem não o merece, do que resultariam enormes catástrofes sociais de que já vos falei amiúde nas minhas crónicas.
Publicado por Miguel Silva às 13:47 |
Retiro da caixa de correio um aviso de entrega de uma encomenda que, explicam-me depois no balcão dos CTT, ainda não chegou.
Publicado por Miguel Silva às 16:21 |
Conheço pessoalmente muita boa gente a ganhar pequenas fortunas sem nunca ter concluído o ensino superior. Alguns sem nunca o terem frequentado sequer. Tal como conheço muito boa gente com cursos superiores ou com frequência dos mesmos que ganha magros salários em funções para as quais não são necessárias quaisquer qualificações relevantes.
Isto não contraria o que se encontra na base da campanha das Novas Oportunidades. Apenas confirma que a estrutura do tecido produtivo nacional não valoriza convenientemente as qualificações como prova de competências adquiridas nem como instrumento de incorporação de mais-valia na actividade desenvolvida. Se pretendemos uma economia que algum dia queira ser competitiva à escala global, esta mentalidade que tem de ser alterada. Há vários passos a dar nesse caminho, mas algum terá de ser o primeiro.
Publicado por Miguel Silva às 12:04 |
Os cartazes alusivos à iniciativa governamental Novas Oportunidades têm suscitado alguma polémica. Serão simplistas, mas dificilmente a publicidade escapa a esse condicionalismo. Não são mais redutores, na forma como apresentam o seu tema, do que a esmagadora maioria do que se produz neste meio. Mais ainda, a publicidade não tem como função principal educar ou explicar, mas antes suscitar interesse, marcar presença, fazer-se notar.
Um quadro mais abrangente do tema, com dados concretos, como os que o Rui Pena Pires se deu ao trabalho de coligir, ajudaria a compreender melhor a questão. Mas, certamente, não funcionaria tão bem em outdoors publicitários.
Publicado por Miguel Silva às 11:53 |
O Sol, o azul do céu, as temperaturas amenas, o voo rasante das andorinhas, a folhagem renascida das árvores, o desabrochar das flores, as lagartixas vivas que a gata trás para dentro de casa…
Publicado por Miguel Silva às 14:12 |
Os EUA conheceram, segunda-feira, o maior massacre de sempre num estabelecimento de ensino, do qual resultaram mais de 30 vítimas mortais, exactamente na mesma semana da publicação de um estudo sobre o controle da venda de jogos, DVD e música a menores. As restrições das autoridades nem sempre são cumpridas, mas, segundo o mesmo estudo, tem-se assistido a uma melhoria nesse sentido. Os jovens norte-americanos devem esperar cada vez mais dificuldades para aceder a conteúdos violentos. A outro nível, um controle cada vez maior é exercido sobre o tabaco e sobre os locais onde o fumo é permitido. As imagens de fumadores acantonados à porta dos edifícios onde trabalham, ou os exercícios de limpeza moralista, que vão desde as películas de Hollywood às bandas desenhadas, são disso um bom exemplo.
Há uns anos fui apresentado a um norte-americano, o qual, a meio da nossa amena conversa, decidiu mostrar-me as suas três cartas de condução. Uma era verdadeira e as outras duas, obviamente, eram falsificações que tinham como principal objectivo, através da alteração da data de nascimento, habilitá-lo a consumir álcool. Destas, segundo ele, uma delas estava superiormente conseguida, suscitando um inegável sorriso de orgulho.
Por mais que se queira, as pessoas encontram sempre uma forma de contornar as proibições. É impossível erradicar o crime das sociedades. Aliás, uma sociedade sem crime é uma utopia que talvez encerre mais perigos do que benefícios. Mas não deve ser por isso que se deve abdicar dessa luta. O próprio equilíbrio e coesão de um grupo social dependem do nível do seu sentimento de segurança e de aplicação da justiça.
Este tópico devolve-nos ao problema das armas num país como os EUA. Um dos fenómenos que os EUA parecem não conseguir controlar – e não querer consegui-lo – é o comércio de armas. Certamente, existem razões económicas e ideológicas por trás desta impossibilidade. Mas também não deve haver melhor definição do que é a influência de um grupo de pressão. A mesma sociedade que encara com tanto moralismo o conteúdo de filmes, músicas e jogos sanciona positivamente a posse de armas. Consegue mesmo a proeza de se alimentar da insegurança criada pela criminalidade violenta, associada às facilidades na aquisição de armas, para fomentar a compra por parte de indivíduos que, contra todas as probabilidades, pensam encontrar aí a melhor forma de se defenderem.
Sem dúvida, devemos questionar a génese e as consequências dos conteúdos violentos, especialmente junto dos mais novos. Mas ao focar a atenção quase exclusivamente nessa realidade, ignorando os perigos associados à facilidade com que se adquirem armas de fogo, falha-se clamorosamente o objectivo principal de impedir um maior número de crimes violentos. Em última análise, e isto é uma evidência tão grande que custa escrevê-lo, não são os jogos para consolas que matam; são as balas disparadas de revólveres e espingardas, tantas vezes comprados na mais perfeita legalidade.
Publicado por Miguel Silva às 11:40 |
Embora o que esteja mais na moda seja falar do primeiro-ministro, o melhor post dos últimos tempos está aqui.
Publicado por Miguel Silva às 10:37 |
- Tu não percebes.
- Não, eu não percebo.
Publicado por Miguel Silva às 10:35 |
Há sensivelmente dez anos, mais coisa menos coisa, o Palácio Galveias, que acolhe a Biblioteca Municipal Central de Lisboa, teve nas suas salas uma exposição de instrumentos de tortura medievais. Desde esta última quinta-feira, as repetições do golo falhado pelo Nuno Gomes trazem-me muito à memória a variedade criativa com que me deparei naquelas salas e corredores.
Publicado por Miguel Silva às 16:51 |
Hoje precisava de uma informação da Segurança Social. Prevendo as dificuldades deste tipo de interacção com alguns departamentos públicos, pensei imediatamente em escrever um post e dar-lhe por título “O cidadão e a Segurança Social”. Contudo, dez minutos e três telefonemas depois, dispunha de todas as informações que necessitava. A coisa tinha-se resolvido bastante melhor do que eu esperava e o meu antecipado post de lamentação esvaziara-se.
Apesar da minha reduzida participação nos últimos tempos, a verdade é que não há praticamente nada de que não se possa espremer um post. Assim, gorada a lamentação, nasceu um post, exactamente com o mesmo título, sobre más expectativas no contacto com os serviços públicos, ainda que para admitir o erro desse cálculo.
Mas não se pode recriminar-me o pessimismo. Já uma vez passei cinco horas dentro de umas instalações da Segurança Social. É uma experiência que traumatiza para o resto da vida.
Publicado por Miguel Silva às 10:05 |
Não fui eu que recordei o Patchouli (mesmo que tivesse sido, nunca o admitiria em público). Apenas disse que era inesquecível, e isso nem sempre deve ser interpretado como algo necessariamente bom.
Anda uma pessoa a construir cuidadosamente a sua imagem nos blogues, há não sei quanto tempo, para ser difamado assim, sem mais nem menos. Não há direito.
Publicado por Miguel Silva às 12:35 |