Saturday, September 30, 2006
Thursday, September 28, 2006
Cumprem-se hoje 28 anos após a morte do Papa João Paulo I, Albino Luciani, em circunstâncias, digamos assim, no mínimo estranhas. Uma página da História que não se vê visitada muitas vezes.
Para uma pequena introdução às estranhas circunstâncias que rodearam a morte de João Paulo I podem consultar-se, inevitavelmente, as páginas da Wikipedia:
em português – para uma maior atenção às teorias de assassinato desenvolvidas por David Yallop
em inglês – para uma maior atenção às teorias de morte natural desenvolvidas por John Cornwell
Teorias da conspiração à parte, que têm o condão de ser muito interessantes para ocupar a mente mas que podem facilmente desviar-nos do essencial, vale a pena consultar também a página da Wikipedia dedicada a Paul Marcinkus, presidente do Banco do Vaticano entre 1971 e 1989 e falecido a 20 de Fevereiro deste ano. Nomeadamente, vale a pena conhecer as nobres personagens que gravitavam em torno deste clérigo. Material de qualidade muito superior aos romances de John Grisham.
Publicado por Miguel Silva às 15:47 |
Wednesday, September 27, 2006
Sem alterar a sua posição, a Igreja parece disposta a mudar a sua estratégia numa repetição do referendo do aborto. Com um PS livre das dúvidas existenciais de Guterres, o espaço para o 'sim' aumenta significativamente. Desde que alguém se empenhe em fazer uma campanha séria nesse sentido. Mesmo que a Igreja, oficialmente, adopte uma postura de segunda linha, não é de crer que venham a ser apenas os "leigos, os pais de família e os médicos a liderar a campanha do 'não'", como deseja D. José Policarpo.
Publicado por Miguel Silva às 23:00 |
O mundo ao contrário
A 12 de Junho de 2000, o Rio de Janeiro assistiu ao que se tornaria um dos sequestros mais documentados de sempre, o qual terminaria de forma trágica, com a morte de uma das reféns e do próprio sequestrador, este às mãos da polícia, dentro de um carro de transporte, quando era já encaminhado para a esquadra. Dois anos mais tarde, as intermináveis horas de directo que as televisões emitiram naquele dia foram enriquecidas com um lote de entrevistas a pessoas directa ou indirectamente relacionadas com os acontecimentos e com a vida do sequestrador, dando origem ao documentário Onibus 174, da autoria de José Padilha.
Padilha não se limita a descrever exaustivamente os acontecimentos de 12 de Junho. Mais do que isso, estabelece uma biografia de Sandro Nascimento – o sequestrador – e um retrato amplo do que são o sistema policial, o sistema judicial, o sistema prisional e o sistema social do Brasil, em geral, e do Rio de Janeiro, em particular, para enquadrar o tema da violência urbana nos países em desenvolvimento. Este retrato resulta muito crítico e evidencia algumas questões incontornáveis. Alguns especialistas entrevistados referem o fenómeno da violência urbana e da marginalidade como fruto de uma estratégia de visibilidade desenvolvida pelos excluídos. Numa sociedade que se recusa a conceder-lhes espaço, que se recusa a encará-los e que chega a agradecer o trabalho sujo desempenhado pelos esquadrões da morte, como o que actuou no massacre da Candelária (do qual Sandro Nascimento foi um dos sobreviventes), a violência é a forma que as crianças e os adolescentes sem-abrigo encontram para ganhar reconhecimento. Trata-se de uma estratégia de afirmação puramente negativa, destinada a funcionar pelo choque que não pode deixar de causar. Mas o aspecto porventura mais interessante que o documentário de Padilha revela é uma igualmente brutal ausência de esperança para os excluídos. Não só não têm lugar, não só não têm visibilidade, como enfrentam forças policiais, tribunais e sistemas prisionais que atingem uma desumanidade atroz. O destino de muitos condenados são celas de prisão com menos de 20 m2, onde se chegam a amontoar mais de 50 presos, em espaços quase desprovidos de luz natural e onde a temperatura ambiente ultrapassa quase sempre os 40º. As instituições de reinserção, para onde são enviados os menores, são locais de violência generalizada, quer seja entre os jovens, quer seja pelos abusos sobre eles cometidos pelos profissionais que lá trabalham. Estas instituições não só não têm qualquer vocação de reinserção como funcionam como escolas de criminalidade e de marginalidade. O nível de corrupção e de violência gratuita das forças policiais é assustador e os tribunais incorporam muito menos o espírito de justiça do que os preconceitos sociais vigentes. Entrar neste sistema significa nunca mais sair dele. O túnel não tem nenhuma luz ao fundo e o caminho é sempre a descer.
O documentário de José Padilha tem ainda o mérito de conceder uma identidade ao sequestrador, resgatando-o dos preconceitos e dos juízos pré-formatados. Existe uma vida, uma biografia, por detrás da adjectivação rápida. Sandro Nascimento – o sequestrador, o criminoso, o toxicodependente, o marginal – é, antes de uma colecção de epítetos, um ser humano com uma história, com um trajecto, com um meio envolvente onde cresceu, sem o qual qualquer análise deixa de fazer sentido. O último dia de vida de Sandro Nascimento não é o resultado simples das acções de um louco ou de um drogado. É a soma de um conjunto de circunstâncias e de acções de diversos protagonistas.
A vida e morte de Sandro Nascimento são objecto de problematizações e de teorias, mas não são, em si mesmas, uma problematização nem uma teoria. Dos muitos disparates que Pedro Arroja lançou naquela entrevista publicada há mais de uma década, uma boa parte deles tem o mesmo fio condutor, que é redução da realidade social a uma teoria. A visão de Pedro Arroja sobre o mundo e o Homem ilustra uma forma de observar a realidade como se através de um prisma, decompondo-a sem nunca voltar a juntar as suas diversas partes constitutivas. Tudo se resume ao livre arbítrio do indivíduo e a uma teórica igualdade de circunstâncias. O social surge, nesta forma de o encarar, como desprovido de interdependência entre os seus membros, como se as acções de uns não fossem relevantes para a conduta de outros, como se as oportunidades fossem iguais para todos, como se o jogo não estivesse viciado, aliás, como se o jogo não fosse, sequer, passível de ser viciado.
Mais ainda, esta forma de encarar o mundo revela um princípio moral que coloca a teoria num patamar infinitamente superior àquele em que coloca as pessoas. O que acontece efectivamente às pessoas, as condições objectivas de existência que possuem, não têm qualquer relevo perante a importância concedida à teoria. A miséria e a ausência de dignidade humana são danos colaterais aceitáveis, desde que, globalmente, a economia, por exemplo, tenha um bom desempenho. O que este raciocínio não reconhece – e o que acaba por ser o seu maior sofisma – é que as teorias, ao contrário das pessoas, são meros exercícios de raciocínio abstracto, totalmente intangíveis. Não são as pessoas que devem trabalhar e sacrificar-se para o bom funcionamento da economia. É o bom funcionamento da economia que deve trabalhar para o bem-estar dos indivíduos. A Humanidade não é uma soma de indicadores e a dignidade do ser humano nunca poderá deixar de ser um factor absolutamente prioritário.
Publicado por Miguel Silva às 16:59 |
Tuesday, September 26, 2006
Barrigadas de riso, ou um guia de bolso para a indigência mental. Em qualquer dos casos: imperdível, do princípio ao fim.
Publicado por Miguel Silva às 15:24 |
Em duas semanas, o novo semanário Sol conseguiu ganhar o mesmo espaço nos meus hábitos de leitura que reservo ao Expresso. Todos os sábados lhes leio a primeira página na banca de jornais enquanto compro o DN.
Publicado por Miguel Silva às 13:02 |
Monday, September 25, 2006
O perigo de estar muito tempo longe dos blogues é que se descobre que é possível estar muito tempo longe dos blogues. Que até é fácil. Que até é bom.
Publicado por Miguel Silva às 17:09 |
Friday, September 22, 2006
Menos que os outros
"Tens que te baptizar, filho, porque tu não és menos que os outros.", disse a anciã.
Publicado por Miguel Silva às 22:56 |
Wednesday, September 20, 2006
Interrompo esta pequena interrupção para atender ao pedido da equipa do Blogame Mucho e dar notícia que, por razões alheias à sua vontade, esta pode actualmente ser encontrada no seguinte endereço:
www.chumo.blogspot.com
Para os mais desatentos ou desinformados, o Blogame Mucho celebrou o terceiro aniversário em Agosto (ao qual eu lamentavelmente faltei) e é um dos melhores blogues na nossa praça. Em tudo. Quem disse? Digo eu. Agora ide e confirmai por vós mesmos.
Publicado por Miguel Silva às 12:02 |
Wednesday, September 13, 2006
O Verão acabou. Menos pela falta de Sol do que pelo cheiro a Outono que já paira no ar.
Publicado por Miguel Silva às 13:06 |
Sunday, September 10, 2006
Micro-causa
Deixem sair o Rui Costa em Dezembro. O homem não merece passar pelas desgraças que esperam o resto da equipa esta época.
Publicado por Miguel Silva às 15:06 |
Thursday, September 07, 2006
In a little while
This hurt will hurt no more
U2, In A Little While
Publicado por Miguel Silva às 22:13 |
Cavaco está a cumprir seis meses de mandato. Quer dizer que restam quatros anos e meio. Não é animador, mas já foi pior.
Publicado por Miguel Silva às 19:35 |
O cristianismo gnóstico característico dos primeiros séculos da nossa era caracterizou-se por uma forte componente de diversidade e complexidade. Dos diferentes mitos de criação do mundo que os gnósticos professavam, alguns deles descreviam a criação do universo como um erro cósmico que teria tido origem nas acções de uma entidade divina – a Sabedoria – subordinada ao verdadeiro Deus.
Por seu lado, o livro do Génesis, adoptado como escritura sagrada pelo judaísmo e pelo cristianismo, relata um mito com algumas semelhanças. A desgraça de Adão e Eva dá-se após Deus descobrir que provaram o fruto da árvore da ciência do bem e do mal; e é por possuírem esse conhecimento que são castigados com a expulsão do paraíso.
As religiões cumprem, entre outras, a importante função de criar um conjunto pré-ordenado de imperativos morais. Isto pode ser bastante útil, uma vez que é bastante mais fácil cumprir e fazer cumprir um mandamento emanado por Deus do que gastar tempos indeterminados a fundamentar a sua justiça.
Por muito que se possa discordar das visões do mundo que as religiões têm para oferecer ou do seu proselitismo, a liberdade religiosa é hoje, justamente, um direito inquestionável. Mas, apesar disso, não deixa de ser conveniente desconfiar de credos que parecem guardar tantas reservas contra os caminhos autónomos para o conhecimento.
Publicado por Miguel Silva às 19:33 |
O Gil Vicente quer contestar nos tribunais o alegado interesse público do campeonato nacional de futebol invocado pela FPF. Assim de repente, não me ocorre melhor exemplo de algo que não tem absolutamente nenhum interesse público do que o nosso campeonato de futebol. Qualquer estagiário há-de conseguir provar isso sem sequer ter de se aplicar a sério.
Publicado por Miguel Silva às 17:59 |
Monday, September 04, 2006
Revigorado é um manifesto exagero. Com outra disposição, digamos assim. Mas também isso muda. Tudo muda.
Publicado por Miguel Silva às 15:16 |
Sunday, September 03, 2006
O que importa reter no amor é a noção da sua mortalidade. "Grandes amores" existem muitos ao longo de uma vida. O trabalhoso empenho que os faz perdurar é que se mostra extraordinário.
O mal que os ideais românticos trouxeram ao amor ainda não foi devidamente denunciado, muito menos expurgado, como é necessário e imprescindível que se venha a fazer.
Publicado por Miguel Silva às 17:30 |
Saturday, September 02, 2006
A posição da FIFA pode, até, ser entendida como um acto radical de chantagem para atingir os seus propósitos mais imediatos que passam pela manutenção do actual equilíbrio de poder que lhe é tão favorável. Compreende-se que as pessoas ligadas aos organismos que tutelam o futebol assumam um discurso que legitime essas pretensões. Afinal, fazem parte do mesmo sistema. Mas já se entende menos essa postura em jornalistas e comentadores que não pertencem a esses circuitos. O que se tem ouvido com frequência é uma defesa das normas da FIFA por serem normas e não por serem legítimas ou justas. Pode dizer-se que qualquer clube envolvido nestas competições tem por obrigação conhecer os regulamentos, mas isso é uma questão secundária. O tema principal, o cerne de todo este imbróglio, é o jogo de relações de poder e a legitimidade dos organismos e dos seus regulamentos. As análises sérias e consequentes deviam estar a centrar-se nestes aspectos e não no circo que os envolve e que ilude o essencial.
Publicado por Miguel Silva às 12:45 |

