Thursday, June 01, 2006

258ª lei da blogosfera:

A blogosfera gosta de jacarandás.

Um dia inteiro sem acesso ao blogue. E logo quando até tinha o que publicar...

Tuesday, May 30, 2006

Estranhamente, ao contrário do que é costume, não tenho tido insónias com o início das noites quentes. Mais estranhamente ainda, sinto-lhes a falta.

Um blogue é dos poucos sítios onde não ter nada para dizer é já condição suficiente para publicar.

Friday, May 26, 2006

Crise?

Chegar ao fim do dia com os olhos cansados de ter passado o dia a olhar para o monitor é relativamente comum. Que os blogues não tenham a maior fatia de culpa disso é que é de espantar.


Jackson Pollock, Homem Nu com Faca, 1938-40

Thursday, May 25, 2006

Ainda a propósito do post anterior, vale muito a pena ler as achegas que o João Tunes elenca no seu Água Lisa.

A escolha

Levanta-se um coro de vozes pela derrota da GALP num concurso para a exploração petrolífera do Mar de Timor. Destaco as palavras do Paulo Gorjão, que acusa o primeiro-ministro timorense de falta de estofo e de falta de visão e que argumenta que Timor-Leste terá bastante mais a perder com este afastamento de Portugal. Se sobre as capacidades políticas de Alkatiri não tenho muito para dizer (nem a favor nem em contrário), sobre as eventuais vantagens da ligação de Timor-Leste a Portugal julgo que existe uma reflexão que o Paulo Gorjão não explora devidamente no seu post.

Os lucros muito agradáveis que os negócios da GALP têm vindo a gerar, tanto quanto penso saber, dependem sobretudo da área da refinação. Interessa à GALP, por esse motivo, aumentar e diversificar os locais de exploração que já possui. Isto digo-o tal como mo disseram a mim, que eu do negócio do petróleo percebo tanto como o ex-presidente da edilidade portuense. Ora, se isto explica o interesse de um grande grupo económico português por Timor-Leste, servindo de bitola para extrapolações que se queiram fazer para outros grupos económicos, convém conhecer, então, quais são as tão significativas contrapartidas para Timor-Leste que têm justificado tantas críticas pela decisão do concurso.

O que o Paulo Gorjão nos diz é que Timor-Leste precisa de diversificar as suas dependências, o que parece bastante razoável, e que essa diversificação deve incluir Portugal. Nas suas palavras, " à distância que Timor-Leste se encontra de Portugal, só há uma maneira de nos fazer manter atentos ao território, i.e. os negócios.
Era e é do interesse nacional timorense que as empresas portuguesas invistam em Timor-Leste. É do seu interesse não apenas porque cria emprego e gera riqueza. É do seu interesse porque quanto maior for o volume de negócios que as empresas portuguesas tenham com Timor-Leste maior será a atenção política que lhe será prestada pelo Governo português. É por isto que a derrota da GALP foi relevante.
"

Mas quanto a esta necessidade de gerar atenção política de Portugal sobre Timor-Leste e gerar investimento das nossas empresas no território, as justificações são parcas. É razoável interrogar o Paulo Gorjão sobre a utilidade da atenção política de Portugal. Sobre esta atenção política, e o que eventualmente a caracteriza, muito há para dizer, mas eu preferiria aguardar explicações mais detalhadas do Paulo antes de tecer mais considerações sobre este aspecto, até porque tem o potencial de nos levar para uma área algo distinta.

Não obstante, se o investimento da GALP, ou de outras empresas portuguesas, cria emprego e riqueza em Timor-Leste não será porque são empresas portuguesas, mas antes porque se trata de investimento e ser essa uma das suas características. Certamente a italiana ENI também irá gerar emprego e riqueza, a menos que se pretenda que o investimento português é intrinsecamente mais produtivo do que o investimento italiano. Mas como isso é um absurdo, a única crítica seria se a escolha da ENI fosse economicamente menos benéfica que a escolha da GALP. O Paulo Gorjão acredita que, a longo prazo, isso será verdade. Mas também é possível entrever que Timor-Leste, tendo optado pela solução mais benéfica a curto prazo, trocou um ponto de ligação económica à economia portuguesa por um ponto de ligação económica à economia italiana. O que, convenhamos, sendo a Itália um dos países mais industrializados da Europa e do mundo e sendo a economia portuguesa aquilo que se sabe, talvez não seja uma decisão tão mal pensada como pode à partida parecer. Este é o aspecto que passa ao lado do posto do Paulo Gorjão, mas que merece bastante atenção. Podemos mesmo perguntar se a derrota da GALP não configura um indicador da perda de peso internacional do nosso país, sendo ainda mais grave no sentido em que ocorre precisamente com um dos países de quem estamos supostamente mais próximos em termos de laços.

Evidentemente, existe uma ligação histórica e afectiva forte entre Portugal e Timor-Leste. Esta ligação não pode nem deve ser alienada. Não faltam maus exemplos neste campo. Portugal vive mal com as suas memórias, não guarda para elas um lugar de relevo, não as estuda, não as compreende e não as usa para aprender e agir melhor. Frequentemente, disfarça as suas memórias em mitos e fábulas que acabam por ter como utilidade, sobretudo, a sua instrumentalização ao serviço de determinadas ideologias. Embora pouco provável, seria conveniente que a relação entre Portugal e Timor-Leste não entrasse por esses caminhos. Seria mesmo, porventura, a melhor forma de ultrapassar os utilitarismos circunstanciais que a economia tende a gerar e partir para uma sedimentação descomplexada das relações externas entre os dois países.

Wednesday, May 24, 2006

Acabei de apagar um e-mail enviado por um senhor estrangeiro que não conheço cujo assunto era "oil contract". Eu sou a favor das energias alternativas.

Tuesday, May 23, 2006

Há pouco mais de dois meses optei por deixar de ter televisão em casa. Essa escolha faz-me perder alguns programas, como, por exemplo, o Prós e Contras de ontem. Perder não será bem o termo correcto. Pelo que vou lendo na blogosfera, não terei perdido nada. Quanto muito, ter-me-ei poupado a um espectáculo lamentável. Aliás, o único aspecto deste episódio a merecer nota é que parece ainda haver quem se surpreenda com estes fenómenos.

Friday, May 19, 2006

Que um blogue como o Ma-Shamba termine é algo que merece amplas reacções de descontentamento. E mereceu, pelo menos nos comentários do blogue do JPT. Que qualquer blogue, mas sobretudo um blogue com as características do Ma-Shamba, apague os arquivos depois de encerrar a actividade é algo que, tanto quanto me é dado a perceber, ainda não suscitou o amplo debate que merece.

Apagar os arquivos de um blogue parece-se demasiado com queimar livros. Ao publicar um blogue, os textos deixam de estar sujeitos ao escrutínio exclusivo do seu criador. Sendo públicos, obedecem a critérios de apropriação e pertença que lhe escapam em absoluto. Já não se trata da propriedade exclusiva do escritor. Os textos públicos pertencem, em parte, a quem os lê e essa pertença deve recolher algum respeito.

Um segundo aspecto que deve ser igualmente tido em conta é a própria forma que caracteriza a escrita num blogue. A facilidade com que se geram links associados a textos é uma dessas características. Ao apagar um blogue, o seu autor destrói essas ligações. Apesar de não ser o responsável pelos links que encaminham para textos seus, certamente não os ignora. A sua acção, assim, acaba por ter o potencial de tornar outros textos absolutamente impossíveis de compreender, sendo intrinsecamente lesiva do modo de funcionamento em rede da blogosfera.

No momento de extrair conclusões destes pressupostos, não só se torna desconfortável impor a terceiros uma forma de ver e de agir na blogosfera, como é mesmo impossível controlar esses factores. Em última análise, mesmo podendo discutir-se a apropriação dos textos como forma de pertença, a edição do blogue, por razões óbvias, permanece um domínio exclusivo dos seus administradores. Mas pode invocar-se, neste campo, um acordo de cavalheiros, à semelhança dos que já existem e são aplicados todos os dias neste meio. Como meros exemplos, dois casos: na blogosfera criam-se (quase sempre) ligações para as referências do texto ou para as fontes e não se altera o conteúdo de um post sem o devido aviso aos leitores.

Em suma, a decisão de apagar um blogue dependerá sempre dos seus autores e não é razoável que seja de outra forma. O máximo que se pode pedir é uma sensibilização dos autores para as complexas implicações da sua decisão. Muito embora, lamentavelmente, não traga blogues como o Ma-Shamba de volta, uma partilha de entendimento generalizada neste capítulo já seria muito positiva. Um começo, pelo menos.


Camille Pissarro, A Horta em Éragny, 1896

Thursday, May 18, 2006

Uma pessoa começa o dia a ler os seus blogues preferidos e dá com uma série de interrogações que lhe aceleram logo a actividade das little grey cells:
- Não é importante para uma pessoa saber quem é/era o seu pai? Mais: não devia isso ser um direito?
- Não é importante para uma pessoa saber que nasceu do desejo e do amor de um homem e uma mulher, ambos com nome concreto, história e raízes? Não é importante conhecer todas as circunstâncias da sua origem?
(...) e porque é que este filho há-de ficar para sempre preso ao enigma do seu pai biológico?!
Como é que isto se resolve a contento de todas as partes interessadas?


Ora, depois de muita actividade, sinto-me tentado a responder, respectivamente, da seguinte forma: depende, talvez, depende, depende, não sei e não sei.

Se o que é a vida de uma pessoa já constitui um enigma difícil de destrinçar, aquilo que essa vida poderá vir a ser assume um carácter ainda mais dúbio. Evidentemente, temos uma panóplia de ciências, os seus corpos teóricos e os seus conhecimentos empíricos, que nos ajudam a prognosticar, com maior ou menor probabilidade, o que são os labirínticos caminhos da actividade psicológica e social do ser humano. Mas apontar um destino, uma forma de pensar, de sentir e de agir, entendidos num sentido determinista, não pode ser outra coisa senão um exercício de futurologia.

A socialização da criança, nos seus primeiros anos de vida, caracteriza-se por uma interiorização da realidade tal como é apresentada pelos agentes de socialização mais relevantes nessa fase, geralmente os pais. A realidade apresentada por esses agentes será entendida não como uma realidade específica – uma alternativa entre muitas –, mas sim como a realidade – um absoluto. Mesmo os primeiros contactos com outras realidades são pautados por esta interiorização, a qual ganha ascendente sobre elas, sendo as alternativas de vida encaradas como anormalidades. Tal como os estudos de Piaget deixaram bastante claro, algumas crianças colocam as "verdades" dos pais acima de tudo, incluindo, por exemplo, das "verdades" de Deus. Só no momento em que as competências de abstracção e relativização da realidade social se vão consolidando é que a comparação entre os diferentes mundos passa a ser feita em termos mais comuns à que é feita pelos adultos. Do jogo de influências entre o que está vivido e o muito que está por viver há-de resultar, então, uma forma mais coerente de analisar a realidade e de encontrar nela um lugar próprio.

Mas se estes são os traços largos dos primeiros anos de socialização, o seu resultado concreto está dependente de inúmeras variáveis, entre as quais se devem contar, as biológicas, as psicológicas e as sociais.

Desta incerteza resultam tantos "depende" como resposta às difíceis perguntas que a Helena postou no 2 Dedos de Conversa. Tais factos serão importantes se as circunstâncias em que a criança é educada levarem à construção dessa necessidade. E, a partir do momento em que ela existe, não há como recusar-lhe legitimidade. Mas apenas nesse momento, e não antes, o que seria mera projecção da forma de estar do observador.

É inquestionável que um ambiente familiar saudável possui estabilidade e amor em doses reforçadas. Agora, por quantas pessoas devem ser essa estabilidade e esse amor assegurados é uma questão bastante diferente. Uma família monoparental não tem, forçosamente, de ser uma família diminuída no seu amor e na sua solidez de laços. Será, porventura, uma família condicionada na desejável distribuição de tarefas. Mas a consequência lógica desse facto é mais trabalho e não menos amor. Aliás, uma família monoparental que funciona bem é incomparavelmente melhor do que uma família biparental que não funciona. Mais ainda, enquanto a monoparentalidade constitui uma família, a associação forçada de um dador de esperma a essa família não se sabe bem o que constituiria. Nesse campo, talvez a liberdade de decisão, o bom-senso e a ponderação sejam as melhores soluções.

A Helena diz que fica com uma série de pruridos éticos resolvidos se ficar claro que os progenitores biológicos têm deveres iguais em relação à criança, e a criança tem direitos iguais em relação a ambos. Mas, para terminar, pergunto eu agora, com um certo egoísmo, reconheço, porque estou a colocar o meu prazer em trocar ideias com a Helena à frente dos caixotes que ela tem de empacotar até Junho, pergunto eu, então, se o sexo ou o esperma conferem direitos? Ou não será antes o trabalho, o muito trabalho, todos os dias, um após outro, o material de que é feito um pai ou uma mãe?

Wednesday, May 17, 2006

Eu, sendo uma pessoa situada politicamente à esquerda, julgo que as mulheres solteiras não devem ser deixadas de fora na procriação medicamente assistida, defendo que o Estado tem um papel obrigatório como interveniente na prestação de determinados serviços e torço sempre pelo Barcelona. Com tempo, hei-de voltar para explicar cada uma destas ideias, uma de cada vez.
Mas como também sou uma pessoa com as suas limitações, não compreendo como é que determinadas actividades, frequentemente apontadas como demasiado dispendiosas para o Estado, parecem despertar a cobiça dos privados, que não se importam de assumir para eles o que o Estado vai alienando. Também hei-de regressar a esta questão.

Tuesday, May 16, 2006

Devo reconhecer que, apesar de tudo o que possa ter dito em contrário, faz toda a diferença que não tenhas tempo para ler o que escrevo.

Excerto

(...) acordar às sete, sair às oito, entrar às nove, almoçar à uma, voltar a entrar às duas, sair às seis, estar de regresso às sete (...).

Foi só depois de começar a pensar que, um dia, me podiam cair as chaves pela frincha ao pé da porta do elevador que isso veio mesmo a acontecer.

Friday, May 12, 2006

Olha outro... Não sei o que diga. Nem, ao menos, um bloguezito sobre futebol, onde se possa ir desancar o Sporting de vez em quando?