Thursday, May 04, 2006
Parece ter reduzido o número de blogues a aderir a celebrações mútuas de aniversário. Digo-o baseado em nada mais que a percepção que tenho ao comparar o que julgo observar actualmente e o que julgo ter observado noutros tempos. Existe mesmo quem anuncie a vontade de deixar de felicitar todos os blogues aniversariantes e as razões que apontam são, no fundo, óbvias.
O aniversário de um blogue é uma forma de consolidação de estatuto. É sempre uma marca de distinção, de quem resiste, de quem tem trabalho com ele. Ou seja, um sinónimo de estatuto, o qual é, por sua vez, capitalizado em legitimação. Não há nada de errado nisso. O estatuto e a legitimidade são conceitos do quotidiano, desde o óbvio mundo do trabalho até às relações de amizade. Não há razão nenhuma para estigmatizar o desejo de reconhecimento do autor de um blogue.
A redução das felicitações, a ser verdade, não se fica a dever, então, à má vontade ou à quebra de laços virtuais entre blogues. Dever-se-á, sobretudo, ao crescimento que a blogosfera registou desde a explosão mediática que sofreu em 2003. Simplesmente, deixou de ser praticável felicitar toda gente que celebra mais um ano destas andanças.
Publicado por Miguel Silva às 16:02 |
O Picasso e o van Gogh que postei ontem foram leiloados pela Christie’s. Entretanto, a Sotheby’s leiloou outro Picasso pela módica quantia de 95 milhões de dólares. É a retoma. Há-de estar mesmo aí a chegar.
Publicado por Miguel Silva às 15:59 |
Wednesday, May 03, 2006
O Público quer levar a cabo alterações para combater os maus resultados. Para isso, contrataram uma consultora que, apesar de não identificada na notícia, se supõe que irá cobrar bom dinheiro pelo trabalho. Eu, que até sempre simpatizei com o Público, não queria deixar de contribuir com um pequeno conselho e não cobro nada por isso. Mudem de director. Já ontem era tarde.
Publicado por Miguel Silva às 12:53 |
75 milhões

Pablo Picasso, Le Repos, 1932
(34,7 milhões de dólares)
Vincente van Gogh, L'Arlesienne, 1890
(40,3 milhões de dólares)
Publicado por Miguel Silva às 11:08 |
Tuesday, May 02, 2006
No café da rua onde moro, "para que todos os clientes se possam sentir bem", pede-se aos não fumadores o favor de utilizarem exclusivamente as mesas para eles reservadas.
Não, não me enganei a escrever isto.
Publicado por Miguel Silva às 14:46 |
É claro que, enquanto eu, após uma pequena busca no Google, faço copy-paste de uma rábula às vitórias do José Mourinho, há quem se entretenha a transcrever o FMI do José Mário Branco.
Publicado por Miguel Silva às 11:25 |
José and his amazing technicolor overcoat
I close my eyes and stand there grinning
We can’t stop winning
You’d be grinning too
When I first came I was delighted
Could have managed United
Any team will do
I wore my coat
The world is merry
I’ve got John Terry
and Drogba too
I switched them round
They all are hating
But I like rotating
Any team will do
A corner kick, is just enough,
a little flick from Damian Duff,
The ball flies right into the net and we are one nil up...
May I return
to the beginning,
It's so easy winning
when your team is blue
We can't go wrong,
I am in heaven
Playing whatever eleven,
Any team will do!!
Publicado por Miguel Silva às 10:25 |
Uma das vantagens de se ser adulto é poder fazer criancices à vontade, como jogar à bola dentro de casa, ou passar o dia a comer bolos.
Publicado por Miguel Silva às 10:01 |
Friday, April 28, 2006
Acredito, também, que o estilo dos comentadores e dos respectivos comentários, em grande parte, espelha o estilo de um blogue. Que os meus posts não alimentem acesas polémicas, perdoe-se a vaidade, não pode causar-me outro sentimento que não seja o de uma calma satisfação.
Publicado por Miguel Silva às 15:24 |
Se há algo que desenvolvi ao escrever num blogue foi um sexto sentido invertido. Os posts que considero com maior capacidade para gerar comentários acabam quase sempre por não os atrair de todo.
Publicado por Miguel Silva às 15:21 |
Thursday, April 27, 2006
Tão facilmente como outra pessoa qualquer, reconheço que um trabalhador incompatibilizar-se abertamente com o seu empregador exige alguma coragem e um certo desapego à segurança do seu emprego. Neste caso, os jornalistas vivem uma realidade ainda mais restritiva. Fruto da concentração na comunicação social, ao se incompatibilizarem com um órgão de comunicação social estão a incompatibilizar-se com todo um grupo de órgãos de comunicação social, aumentando drasticamente as dificuldades de encontrar um novo emprego.
Colocar em risco, assim, o presente e futuro profissional em nome de algo maior como os princípios éticos e deontológicos e a capacidade de manter a coluna direita é algo sempre admirável. Admira-se, precisamente, por implicar custos muitas vezes elevados e duradouros. E é por essas razões que me custa apontar o dedo acusador aos que são coactados a agir de determinada forma que contraria os seus valores. A este propósito, recordo as críticas que foram lançadas a Xanana Gusmão quando, após ter sido preso pelas forças militares da Indonésia, surgiu num depoimento a retratar-se da sua actividade de guerrilha pela independência de Timor. Recordo também a resolução de Nelson Mandela, que recusou a liberdade que lhe ofereciam se aceitasse prescindir da sua luta contra o apartheid na África do Sul. Quantos dos que criticam sem pejo teriam sido capazes de resistir à tortura e às ameaças de morte ou de aceitar uma vida inteira atrás das paredes de uma prisão em nome dos princípios que defendem?
Tendo isto presente, ainda assim, não deixa de ser com muitas reservas que leio um jornalista a assumir-se vítima de manipulação, sendo que não aponta um caso isolado – o que seria perfeitamente compreensível e até desejável –, mas antes uma prática repetida nas redacções pela pressão das audiências ou das direcções. Da mesma forma, custa-me a aceitar que se defenda como único valor noticioso acrescentado do jornalismo de imprensa sobre o jornalismo de televisão a capacidade de antecipação, ou que o respeito pelos leitores passe, sobretudo, pela vontade de lhes dar novidades.
As reservas em relação ao primeiro caso prendem-se com o aparente à-vontade com que se assume a manipulação de que são alvos os jornalistas. Fica explícito que quem o escreve não se sente confortável com a situação, mas a própria forma como o relata, mais próxima do desabafo do que da denúncia, revela uma falta de constrangimento que deixa um travo de perplexidade a quem lê. Alguém imagina o que seria se um director-geral de um qualquer serviço público ou um qualquer executivo de uma qualquer empresa de referência na economia nacional viessem a público reconhecer abertamente que cediam a manipulações dos seus superiores ou que colocavam em segundo plano a ética dos seus desempenhos em função dos resultados que pudessem vir a ser alcançados? A classe dos jornalistas, e bem, seria a primeira a chamar a atenção para o caso, embora, a este respeito, não faltem também exemplos de silêncios incompreensíveis, como quando Carmona Rodrigues resolveu, sem assombro, divulgar a troca de lugares de nomeação política por apoios eleitorais na CML.
O segundo caso diz respeito a uma visão do jornalismo de imprensa que não incorpora como mais valia, sobretudo em relação à televisão, uma capacidade de tratar os assuntos que exceda a simples novidade. Quando a informação na televisão, pelo menos a que tem audiências mais significativas, está praticamente acorrentada a apontamentos de um ou dois minutos, os jornais possuem a enorme vantagem de poderem tratar os temas com um grau de profundidade muito superior. Mais ainda quando a interacção do leitor com o jornal lhe permite escolher os momentos de leitura e construir o seu percurso pelos diferentes textos da notícia, algo que está, como é óbvio, completamente fora de questão num telejornal. O jornalismo de imprensa pode e deve ser muito mais do que uma mera antecipação do que vai passar na televisão ao início da noite.
O enfoque não deve restringir-se apenas a dar ao leitor o que ele não sabe, mas a dar-lhe a possibilidade de saber mais do que já sabe e de aceder a essa informação sabendo que as tentativas de manipulação dos conteúdos foram anuladas ou reduzidas a um mínimo residual com o qual se terá sempre de lidar. Não se exige uma estirpe nova de heróis nem uma acção hiper-moralizadora no desempenho da profissão. Mas pode pedir-se uma abertura de espírito para trocar mais vezes a informação que é novidade pela informação que é relevante, a aceitação passiva pela capacidade crítica. Será com toda a certeza muito difícil lutar sozinho contra um sistema instalado e a funcionar a toda a velocidade, mas se conseguirem juntar-se esforços de classe que ultrapassem o interesse corporativo, talvez seja possível alterar o panorama da produção de notícias que vigora actualmente. Aí está uma notícia que daria gosto ler.
Publicado por Miguel Silva às 11:50 |
Wednesday, April 26, 2006
Custa-me a entender que alguém, com educação mais que suficiente para isso, apesar dos vinte e poucos anos de idade, se deixe apanhar numa gravidez indesejada e fora de uma relação minimamente estável.
Não posso evitar uma certa perplexidade pessoal ao constatar este meu desconforto. Penso que talvez possa querer dizer que estou a ficar conservador. Ou, pior ainda, que estou a envelhecer.
Publicado por Miguel Silva às 15:41 |
Condenado, pois então, aos temas da semana passada, dediquemos algum tempo ao artigo de opinião de Luciano Amaral, do DN de quinta-feira. Nele, LA aborda um dos meus temas favoritos de discurso ideológico: as eleições legislativas em Espanha, depois do 11 de Março. Toda a gente tem os seus botões de disparo e este é um dos meus. Se se costuma dizer que uma mentira repetida muitas vezes se transforma em verdade, também pode ser que uma mentira denunciada outras tantas vezes acabe por não sobreviver.
Para LA, como se depreende da leitura, existiu um consenso entre a agenda do PSOE e a dos terroristas, a qual passou pela retirada do Iraque. LA escusa-se de reflectir sobre as razões apontadas pelo PSOE para retirar do Iraque. Esse exercício acarretaria, forçosamente, interpretações sobre a legitimidade e oportunidade desta guerra, que Zapatero, juntamente com a maioria da população espanhola, questionou e bem. Após não se ter comprovado a existência de armas de destruição maciça no Iraque, após se ter verificado que a guerra custaria e duraria muito mais que o previsto, após terem falhado todas as previsões optimistas de instauração de uma democracia ocidentalizada em Bagdad, após ficar patente o endosso de contrapartidas, sob a forma de contratos milionários para operar no Iraque, a grupos empresarias com estreitas ligações à administração Bush, após a abertura das portas de uma das maiores nações do Golfo Pérsico ao fundamentalismo islâmico e após o falhanço em deter o terrorismo a nível mundial, este é um tema do qual os defensores de primeira hora do intervencionismo bélico tendem agora a fugir.
Ao contrário do que LA, e outros como ele, quer fazer crer, o terrorismo não influenciou o resultado das eleições em Espanha. Foi, antes, a conduta do PP de Aznar e Rajoy, com as suas faltas à verdade, as suas deturpações e as suas manipulações que perderam, virtualmente sozinhos, essas eleições. O terrorismo talvez tenha querido ter influência no resultado eleitoral em Espanha, mas foi, ironicamente, a falta de cultura democrática que o PP evidenciou nessa altura, o condicionamento informativo e a tentativa, demasiado óbvia, de capitalizar politicamente a tragédia, que definiu a votação maioritária no PSOE.
Sem surpresa, LA embarca ainda em mais uma tentativa de confundir o "compreender", utilizado no sentido de saber, entender, conhecer, num "compreender" utilizado num sentido de desculpar, desagravar, aceitar. Para esta deturpação já vai sobrando pouca paciência. Quem teima em não compreender a diferença entre as duas acepções da palavra não pode reivindicar compreender grande coisa.
P.S.: Por uma questão de rigor, alguém deveria explicar a Luciano Amaral que o voo 93 foi o que se despenhou na Pensilvânia e não um dos dois que embateram no WTC.
Publicado por Miguel Silva às 15:13 |
Ao que julgo saber, existem três circulares à volta de Lisboa. Muito embora, a primeira seja quse no centro da cidade e a terceira não se saiba muito bem por onde passa. Ora isto, noves fora, dá... é fazer as contas.
Publicado por Miguel Silva às 14:13 |
"Eu até gosto muito da rapariga. É asseadinha e boa dona de casa.", disse o tipo a quem o namoro não está a correr bem.
Publicado por Miguel Silva às 09:18 |
Monday, April 24, 2006
Desde pouco depois das nove da manhã, tenho estado, sem sucesso, a tentar publicar. Passo tanto tempo longe do blogue que ele decidiu começar a fazer-se difícil.
Publicado por Miguel Silva às 14:49 |
O problema de escrever sozinho num blogue é que, quando se dedica a maior parte do tempo que se tem ao que está para além do blogue – aquilo que se costuma chamar vida privada –, os textos ficam para aqui a envelhecer. Geralmente envelhecem mal, como o texto anterior, demasiado amargo para ocupar o prime spot bloguista durante tanto tempo.
Mais do que isso, fica-se condenado, na melhor das hipóteses, a falar dos acontecimentos da semana passada, senão mesmo a perdê-los de todo. Assim seja. Já uma vez dei demasiada importância à blogosfera e o resultado não foi muito bom. Afinal, como alguém disse, isto é só um blogue.
Publicado por Miguel Silva às 10:57 |



