O casal discute à porta do prédio. Ele, notoriamente preocupado, explica-se; ela vai ripostando enquanto a desilusão lhe cresce nos olhos. Falam uma língua estranha e é impossível decifrar uma única palavra do que dizem. O que, de resto, é perfeitamente desnecessário para compreender o que se passa.
Thursday, December 29, 2005
Wednesday, December 28, 2005
Na sequência da comparação estatística entre Portugal e Espanha, gostaria que ficasse claro que, apesar de ter mudado de blogue, mantenho a mesma opinião.
Publicado por Miguel Silva às 22:44 |
Tuesday, December 27, 2005
Um dos noticiários de fim-de-semana revelou que este Natal se venderam muito bem televisores que custam milhares de euros. Ou é a retoma que aí vem, ou o país cansou-se de esperar e decidiu abrir os braços, e os bolsos, à alienação.
Publicado por Miguel Silva às 13:04 |
Monday, December 26, 2005
Friday, December 23, 2005
Thursday, December 22, 2005
O post sobre as preocupações de Cavaco com o desemprego tem gerado uma troca de comentários interessante, com actualização das estatísticas apresentadas.
Publicado por Miguel Silva às 14:27 |
- Estou?
- Estou... Não era para ti que eu queria ligar.
- Ainda bem porque agora também não posso atender.
- Até logo.
- Até logo.
Isto é o que se pode chamar, com toda a exactidão, sintonia no desencontro.
Publicado por Miguel Silva às 11:35 |
Wednesday, December 21, 2005
Gostei de ouvir Cavaco preocupado com o desemprego. Gostei tanto que fui procurar umas estatísticas ao INE. Em 1992, um ano depois de Cavaco alcançar a sua segunda maioria absoluta, havia quase 187 mil desempregados. Em 1995, o ano em que o PSD deixou o poder, o número de desempregados já correspondia a mais de 325 mil pessoas. Se não me falharam as contas, é um aumento superior a 70%.
Pelos vistos, foram precisos mais dez anos para que o ex-primeiro-ministro se começasse a preocupar com o desemprego. Mais vale tarde do que nunca. É pena que se preocupe tanto quando se está a candidatar à Presidência, onde pouco pode fazer pelos desempregados. Teria sido bastante melhor que demonstrasse essa preocupação toda quando teve meios para impedir a escalada do desemprego.
Publicado por Miguel Silva às 11:10 |
Tuesday, December 20, 2005
Uma pessoa consegue perfeitamente imaginar o tipo de velhice que vai ter quando, ainda antes dos trinta, de forma resignada, se recusa a levantar do sofá para não incomodar a gata que descansa pachorrentamente no seu colo.
Publicado por Miguel Silva às 10:56 |
Monday, December 19, 2005
O procurador dos Maias, quando João da Ega lhe revela que a mulher com quem Carlos da Maia tem mantido uma relação é, afinal, sua irmã, só consegue pensar na fortuna da família. "Que bolada!", vai repetindo o procurador Vilaça, preocupado com as partilhas.
Vilaça é o exemplo acabado daquele tipo de pessoas que, mesmo com os factos à frente dos olhos, por muito bem intencionadas que sejam, não vêem para além do acessório. Encontrando sempre quem não veja mais que eles, podem chegar muito longe.
Publicado por Miguel Silva às 23:42 |
A dominação masculina na sociedade vê-se, por exemplo, na discussão sobre a legalização da prostituição. A esmagadora maioria das opiniões dão como garantido que quem se prostitui são as mulheres e ponto final.
Publicado por Miguel Silva às 10:56 |
Sunday, December 18, 2005
Por uma porta aberta passa muita coisa. Por vezes apenas o frio.
Publicado por Miguel Silva às 00:41 |
Saturday, December 17, 2005
A equívoca libertação de Al Zarqawi pode acarretar dois tipos de leitura. Por um lado, a preparação das forças de segurança no Iraque deixa muito a desejar. Por outro, é um excelente exemplo para ser utilizado pelos adeptos da diminuição dos direitos, liberdades e garantias em favor do sucesso da luta contra o terrorismo.
Mais uma vez, a velha história dos fins e dos meios.
Publicado por Miguel Silva às 12:29 |
Um blogue, verdade seja dita, não chega para conhecer verdadeiramente a pessoa que o escreve. Mas chega para ficar com uma ideia. Umas vezes mais nítida, outras menos. Vai do que cada um quer dar de si quando escreve e do que se quer reter quando se lê.
Sempre que se volta a dizer que a blogosfera é uma descarga de azedumes de gente sem mais que fazer eu penso que devo andar a ler os blogues errados. Por onde eu passo o tom é sempre de respeito por quem lê e por quem escreve. Nestes dias houve um bom exemplo deste mesmo respeito mútuo (se não linko não é porque não o mereçam; são razões/manias que tenho com estas coisas, tenham paciência). Os que, de forma directa ou indirecta, nisso tomaram parte também por cá costumam passar e vão saber que são para eles estas palavras de apreço. A blogosfera ganha muito com pessoas assim.
E já que estamos nisto, aplicou-se há pouco tempo o adjectivo "cru" a propósito de determinados posts que aparecem, irregulares mas frequentes, num dos melhores blogues que por cá se escrevem (sem link, pelas mesmas razões/manias). Se isso é ser cru, eu confesso que, se algum dia tivesse de recorrer ao tipo de serviço profissional que presta o adjectivado, gostava de ter a sorte de apanhar profissionais tão crus como ele.
Vamos lá começar o fim-de-semana.
Publicado por Miguel Silva às 01:38 |
Friday, December 16, 2005
A corrida à Presidência da República está, por convenção, artificialmente restringida a cinco candidaturas. As restantes são paulatinamente ignoradas, sobretudo por quem tem por missão fazer o trabalho de informação do público. Não há argumentação que resulte para defender esta discriminação. Trata-se de um défice democrático, independentemente das intenções de voto que se prevêem para cada candidato.
Seria preferível que os debates tivessem a participação de todos os candidatos, por uma questão da mais elementar justiça e porque o confronto de ideias é sempre enriquecedor. Bem moderados, estes debates não só não seriam confusos como teriam a mais valia de deixar de ser meras entrevistas simultâneas, que é o que têm sido os pretensos debates a dois.
Podemos ambicionar uma maturidade democrática em que, na ausência de condições de igualdade para todas as candidaturas, os debates começassem com manifestações de repúdio, por parte dos candidatos escolhidos pelas televisões, contra o tratamento anti-democrático da pré-campanha eleitoral. Sim, porque pedir o boicote puro e simples – o comportamento ético adequado perante esta situação – é uma utopia da qual não vale a pena falar por agora.
As condições assim impostas vão ajudando a formatar a mentalidade do eleitor. O leque de possíveis escolhas é reduzido segundo critérios inaceitáveis do ponto de vista do que deve ser o respeito pelas regras plurais do processo eleitoral. Talvez os debates não sirvam para decidir grande coisa. Se servirem, talvez sirvam mais para se escolher em quem não votar do que o contrário. Mas deixem que sejam os eleitores a tomar essa decisão.
Publicado por Miguel Silva às 17:45 |





