Thursday, November 17, 2005

Prisões secretas. Prisioneiros sem direito a defesa ou a julgamento e sujeitos a movimentações clandestinas. Utilização consentida de práticas de tortura. Se este é nosso lado, está na altura de assumir que já não há nada para defender. Somos nós que precisamos que alguém nos venha salvar.

Hoje, quando me levantei, pensei que seria um bom dia para me deitar cedo. É meia-noite e meia e ainda nem cheguei a casa.

Wednesday, November 16, 2005


Marc Chagall, Eu e a Aldeia, 1911

Tuesday, November 15, 2005

Algumas vezes, demasiadas vezes, a blogosfera traz-me recordações da adolescência.

Nos meus tempos de adolescência ia ver com frequência os jogos mais importantes que o Benfica disputava na Luz. Alguns jogos europeus, também algumas equipas do meio da tabela, mas, sobretudo, os derbys contra o Sporting e contra o Porto. No final do jogo, já fora do estádio, acabávamos por passar quase sempre pelos membros das claques do Benfica, reunidos nas portas de saída dos apoiantes da equipa adversária, aguardando já devidamente munidos de pedras e garrafas prontas a voar mal se vislumbrasse o primeiro vulto. O resultado do jogo, a equipa adversária ou quem passava por aquelas portas não importava. Nunca importou. As pedras e as garrafas voaram sempre indiscriminadamente.

Também por essa altura era comum dar uma vista de olhos ocasional pelo Blitz. O Blitz tinha (talvez ainda tenha) uma secção alimentada pelas mensagens dos leitores. Havia colunas do jornal recheadas de insultos trocados entre fervorosos apreciadores de estilos musicais distintos. Gerava-se uma significativa interacção entre as pessoas que para lá escreviam, as quais demonstravam paciência suficiente para tolerar os intervalos de publicação entre provocação e contra-provocação, que podiam ser de várias semanas, mas sem a menor tolerância perante quem não partilhasse os mesmos gostos.

O que se escreve num blogue, mesmo que em registo pessoal, nem sempre é autobiográfico. Por exemplo, quando escrevi que um blogue é um bom sítio para perder amigos não estava a dizer que realmente tenha perdido algum amigo por conta deste passatempo elaborado. Por outro lado, já quando escrevi que uma pessoa, de manhã, não faz ideia das asneiras que fará até ao final do dia...

No Esplanar um questionário dos anos 80 para apurar a vocação para a escrita. A quarta pergunta:

4 – Com os seus últimos quinhentos escudos

a) vai ao cinema
b) compra uma garrafa de bom vinho de marca
c) dá-os a alguém
d) compra um livro
e) vai jantar fora
f) apanha um táxi



Duas décadas mais tarde, os quinhentos escudos, transformados em euros, não chegam para ir ao cinema, nem para comprar um bom vinho, nem para comprar um livro, nem para jantar fora, nem para andar mais de 100 metros de táxi. Ainda assim, parecem fazer demasiada falta para serem dados a alguém.

Monday, November 14, 2005

Para quem não sabe, este tipo de spam segue exactamente a mesma fórmula dos horóscopos. Suficientemente generalista para não deixar ninguém de fora à partida, uns elogios que toda a gente gosta de ouvir e uns defeitos que toda a gente sabe ter e está pronto a servir. Evidentemente, os horóscopos, pelo menos, têm o mérito de ser escritos na língua falada pelo público que pretendem cativar.

Há blogues que filtram o spam nos seus comentários. Perdem a oportunidade de ler sinceros e rasgados elogios como o que está no post já aqui em baixo. Gostei sobretudo da parte do "good design".

Um blogue também é um excelente lugar para perder amigos.

O JPT não está a ver bem a coisa. Retirar o Ricardo da selecção, concordo, é um assunto urgente. Mas o verdadeiro imperativo é retirar Scolari do cargo de seleccionador. Um homem que não percebeu imediatamente a mais valia de ter Deco e Ricardo Carvalho como titulares não percebe nada de futebol. Nadinha. Se queremos ir a algum lado, é mudar de seleccionador enquanto é tempo.

O que a vida tem de intrigante é que quando uma pessoa se levanta de manhã não faz ideia das asneiras que vai fazer até ao fim do dia.

Sunday, November 13, 2005

Talvez seja do adiantado da hora, talvez seja de o dia me ter corrido bem, talvez seja do distanciamento que o frio e a chuva sempre me trazem, mas não encontro nada de mais nos primeiros artigos da Lei nº 53/2005, a tal que também regula blogues.
Ou melhor, até encontro. No artigo 2º está definido que a sede da Entidade Reguladora se situa em Lisboa. Talvez seja do adiantado da hora, talvez seja de o dia me ter corrido bem, talvez seja do distanciamento que o frio e a chuva sempre me trazem, mas não consigo perceber por que é que que isto está consagrado em letra de Lei.

Saturday, November 12, 2005

Está uma noite boa para blogues.

Friday, November 11, 2005

Os EUA são uma sociedade onde o medo é um fenómeno incontornável. Agora querem fazer o mesmo à Europa. Enagana-se redondamente quem pensa que os actores principais deste acontecimento são os excluídos. Esses, por mais carros que incendeiem, não têm, como nunca tiveram, poder nenhum. Os beneficiários dos carros a arder são outros. Porque enquanto as classes médias estiverem preocupadas em proteger-se das classes que estão abaixo delas, pensam menos em proteger-se das que estão acima.

Thursday, November 10, 2005

"Vejo-me em milhões de espelhos, e em cada um há uma imagem diferente. Sou apenas uma delas, ou a soma de todas?"

Gonzalo Torrente Ballester, A Saga/Fuga de J.B.

Wednesday, November 09, 2005

Mais um aluno aos tiros numa escola nos EUA. Mais dois feridos e um morto. Mais umas famílias destruídas. Mais umas análises rápidas às influências negativas nos jovens – os filmes, as músicas, os jogos. Mais uma vez em que vão ser poucos os que vão perguntar como é que um jovem de quinze anos tem acesso a uma arma de fogo.

Sendo eu uma pessoa que, com os seus complexos de esquerda, gosta dos militares sobretudo dentro dos quartéis, não deixo de me espantar com um Governo Civil agora tão zeloso, quando ainda há pouco tempo não teve problemas em deixar umas dezenas de neo-nazis desfilar pelas ruas lisboetas.

Tuesday, November 08, 2005

A compreensão do conflito que eclodiu nas ruas de França tem de passar necessariamente por dois conceitos sociológicos: legitimidade e exclusão social.

A palavra exclusão assume aqui uma importância muito especial. O seu contrário é inclusão; e não, como se ouve com frequência, integração. Uma grande diferença.

Um post imprescindível no Klepsýdra sobre a realidade nos bairros sociais franceses.